terça-feira, 13 de maio de 2025

 


Imagem do filme 1984

1984: um debate atual

"O Grande Irmão está de olho em você", frase marcante do romance 1984 de George Orwell, publicado em 1949, percorre toda a trama da obra definida como gênero literário distópico. 

Como primeiro livro do nosso clube de leitura, reunimos neste artigo alguns estudos da área sobre o impacto que a obra teve no literatura mundial.

Para o linguista Jean Pierre Chauvin (2020), "os romances distópicos, escritos entre as décadas de 1920 e 1950, foram inventados por escritores e escritoras conscientes dos limites e tensões do tempo em que viviam. [...] Não estamos a lidar com profetas, mas com artífices inventivos que captavam sinais vigentes em seu tempo e espaço", (p.84). 

Chauvin (2020) no enasio 1984 REVISITADO apresenta uma análise do romance estabelecendo diálogo com outras obras igualmente definidas no gênero da literatura distópica. Outro ponto  abordado por Chauvin (2020) refere-se ao aspecto das distopias partirem de pontos de vistas diferentes. 

Desta forma, deve-se observar, segundo o pesquisador, que "nem todas as ressalvas feitas aos sistemas totalitários, entre as décadas de 1930 ou 1940, seriam aplicáveis do mesmo modo ao mundo de 1990 para cá. Os totalitarismos continuam, mas sob novas roupagens, discursos e tecnologias" (Chauvin, 2020, p.84). 

Assim, Chauvin (2020), ao apresentar em seu ensaio outras vozes e interpretações sobre o romance, possibilita ao/a leitor/a de Orwell compreender os impactos da obra no período de sua publicação. 

Outra análise da obra realizada por Renata Kelli Modesto Fernandes e Flaviane Faria Carvalho em Linguagem e poder na ficção: uma análise crítica do discurso da obra 1984, de George Orwell, artigo publicado em 2021, na Revista Trem das Letras, 1984 é interpretado a partir da sua relação com a obediência que “é introduzida a partir de algo que eles [personagens] não veem e que já é consensualmente aceito - tal como se dá tradicionalmente nas relações familiares, assentadas no respeito à hierarquia existente” (Fernandes; Carvalho, 2021, p. 13).  

As autoras ao escolherem como metodologia a ACD, análise crítica do discurso, identificaram elementos desta distopia que se revelam no “interesse da dominação e controle do sistema político daquela sociedade ficcional” (Fernandes; Carvalho, 2021, p. 22).  

Para as autoras, a obra apresenta uma linguagem que “imprime uma importante característica de George Orwell: a de escritor engajado. O modo como opera a linguagem leva-nos a olhar para fora da obra, para o futuro e, ao mesmo tempo, a refletir o presente” (Fernandes; Carvalho, 2021, p.22).

Podemos, com isso, avançar no debate alcançando outras perspectivas como as que apresentam uma abordagem decolonial. Em 1984: COLONIALISMO E DISTOPIA de Paula Albuquerque, artigo publicado em 2023, a autora aproxima a obra de Orwell com os estudos decoloniais trazendo à tona as contribuições de intelectuais negros e negras como Sueli Carneiro, bell hooks e Achille Mbembe, e intelectuais indígenas como Jaider Esbell para, a partir de analogias, localizar os/as leitores/as nas relações das opressões que se constituem pela linguagem.  

Como se percebe, George Orwell com a sua obra 1984 suscitou muitos debates e interpretações, impactando a literatura mundial de uma forma única, tendo na linguagem sua principal estratégia de engajamento.

Nosso clube terá um início distópico! Vem ler com a gente!

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBUQUERQUE, Paula Beatriz Alves. 1984: Colonialismo e distopia. Revista V!RUS 26. v.2, 2023.

CHAUVIN, Jean Pierre. 1984 REVISITADO. Revista de estudos de cultura. São Cristóvão, SE. v. 2, n. 17, Jul. Dez. 2021, p. 81-92.

FERNANDES, Renata Kelli Modesto; CARVALHO, Flaviane Faria. Linguagem e poder na ficção: uma análise crítica do discurso da obra 1984, de George Orwell. Revista Trem de Letras. Alfenas, MG. V. 8, n.1, 2021.

 


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